Textos de Astronomos contra a Astrologia

 

PSEUDOCIÊNCIAS

ASTROLOGIA NÃO É CIÊNCIA

Prof. Kepler de Oliveira

   A astrologia relaciona a posição dos astros no céu, tanto no nascimento quanto diariamente, com fatos na Terra, incluindo os humores e destinos das pessoas. Ela assume que há ação dos corpos celestes sobre os objetos animados e inanimados e que os ângulos aparentes entre os planetas no céu afetam a humanidade.

   Astrologia não deve ser confundida com Astronomia, a ciência que verdadeiramente estuda os astros e seu funcionamento, isto é, sua física.

   Quando a astrologia começou, no vale dos rios Eufrates e Tigris, no atual Iraque, cerca de 3000 a.C., os mesopotâneos e os babilônios acreditavam que os planetas, incluindo o Sol e a Lua, e seus movimentos, afetavam a vida dos reis e das nações. Os chineses tinham crenças similares por volta de 2000 a.C. Quando a cultura babilônica foi absorvida pelos gregos, por volta de 500 a.C., a astrologia gradualmente se espalhou pelo ocidente. Por volta do segundo século antes de cristo, os gregos democratizaram a astrologia, desenvolvendo a tradição de que os planetas influenciavam a vida de todas as pessoas. Eles acreditavam que a configuração planetária no momento do nascimento das pessoas afetava sua personalidade e seu futuro. Esta forma de astrologia, conhecida como astrologia natal, alcançou se ápice com o grande astrônomo Claudius Ptolomeu (85-165 d.C.). Seu trabalho de astrologia, Tetrabiblos, permanece como a base da astrologia ainda hoje.

   A chave da astrologia natal é o horóscopo, uma carta que mostra a posição dos planetas no céu no momento do nascimento (e não da concepção!), em relação às doze constelações do Zodíaco, definidas naquela época como cada uma ocupando 30 graus na eclíptica, e chamadas signos. As posições são tomadas em relação às casas, regiões de 30 graus do céu em relação ao horizonte.

   Uma variante popular da astrologia é baseada no signo solar, que usa somente um elemento, o signo ocupado pelo Sol no momento do nascimento da pessoa. É esta que aparece nos jornais e revistas.

   A necessidade de conhecimento da posição dos planetas levou ao desenvolvimento da astronomia.

   A astrologia não é uma ciência. Assim como a astronomia, ela floresceu na Antiguidade, muito antes da formulação da teoria gravitacional e da teoria eletromagnética e do conhecimento de que todos os astros são compostos da mesma matéria existente aqui na Terra. Não existe matéria "celeste" como acreditava Aristóteles (384-322 a.C.). Mas ao contrário da Astronomia, ela não incorpora as teorias científicas e assume que a Terra está no centro do Universo, rodeada pelo Zodíaco, e a definição dos signos ignora a precessão do eixo de rotação da Terra.

   Tanto a teoria gravitacional de Newton e Einstein quanto a teoria eletromagnética de Maxwell comprovam que o efeito dos astros nas pessoas é completamente desprezível, isto é muito menor do que o efeito dos outros corpos na própria Terra. Naturalmente não estamos falando da luz do Sol, principal fonte de energia na Terra, nem dos efeitos de maré da Lua, e em menor parte do Sol, sobre a Terra. Também não estamos falando do efeito real da colisão de um asteroide ou meteorito com a Terra, que muitas vezes têm consequências catastróficas. O obstetra que realiza o parto de uma criança exerce uma atração gravitacional sobre ela seis vezes maior do que o planeta Marte, pois embora a massa de Marte seja muito maior do que a do obstetra, o planeta está muito mais distante. O efeito de maré do obstetra sobre a criança é ainda 2 trilhões de vezes maior do que o de Marte.

   Por falar em distâncias, a astrologia, ao calcular os horóscopos, assume que o efeito dos planetas, como Marte, é o mesmo quando Marte está do mesmo lado do Sol que a Terra e quando ele está do outro lado do Sol, cinco vezes mais distante! Se o efeito não depende da distância, então qual é o efeito das estrelas, galáxias e quasares?

   Os sinais de rádio emitidos pelo Sol e por Júpiter, e em menor quantidade por todos os outros planetas, também sinais eletromagnéticos, são muito menos intensos que os sinais emitidos por uma pequena emissora de rádio de 1 kilowatt a 1000 km de distância. Todos os efeitos eletromagnéticos e gravitacionais caem com o quadrado da distância.

   A característica fundamental da ciência é basear-se na observação da natureza e na experimentação. Os efeitos das posições dos planetas e da Lua em qualquer pessoa na Terra nunca foram desmonstrados em qualquer estudo sistemático. Nas últimas décadas vários cientistas testaram as previsões da astrologia e comprovaram que não há resultados:

  1. O psicólogo Bernard Silverman, da Michigan State University, estudou o casamento de 2978 casais e o divórcio de 478 casais, comparando com as previsões de compatibilidade ou incompatibilidade dos horóscopos e não encontrou qualquer correlação. Pessoas "incompatíveis" casam-se e divorciam-se com a mesma frequência que as "compatíveis".

  2. O físico John McGervey, da Case Western University, estudou a biografias e datas de nascimento de 6000 políticos e 17000 cientistas e não encontrou qualquer correlação entre a data de nascimento e a profissão, prevista pela astrologia.

  3. Um teste duplo-cego da astrologia foi proposto e executado pelo físico Shawn Carlson, do Lawrence Berkeley Laboratory, Universidade da Califónia. Grupos de voluntários forneceram informações para que uma organização astrológica bem estabelecida produzisse um horóscopo completo da pessoa, que também preenchia um questionário de personalidade completo, pré-estabelecido de comum acordo com os astrólogos.
    A organização astrológica que calculava o horóscopo completo da pessoa, juntamente com 28 astrólogos profissionais que tinham aprovado o procedimento antecipadamente, selecionavam entre 3 questionários de personalidade aquele que correspondia a um horóscopo calculado. Como haviam 3 questionários e um horóscopo, a chance de acerto aleatório é de 1/3 = 33%.
    Os astrólogos tinham previsto antecipadamente que a taxa de acerto deveria ser maior do que 50%, mas em 116 testes, a taxa de acerto foi de 34%, ou seja, a esperada para escolha ao acaso! Os resultados foram publicados no artigo A Double Blind Test of Astrology, S. Carlson, 1985, Nature, Vol. 318, p. 419.

  4. Os astrônomos Roger Culver e Philip Ianna, que publicaram o livro Astrology: True or False, (1988, Prometheus Books), registraram as previsões publicadas de astrólogos bem conhecidos e organizações astrológicas por 5 anos. Das mais de 3000 previsões específicas, envolvendo muitos políticos, atores e outras pessoas famosas, somente 10% se concretizaram. Esta taxa é menor do que a de opiniões informadas.

  5. Uma pesquisa coordenada pelo Prof. Salim Simão do Departamento de Produção Vegetal da Universidade de São Paulo, durante sete anos, comprovou que a fase da Lua não tem efeito no crescimento das plantas. (Veja, edição 1638, 1 mar 2000, p. 127).

  6. O médico dermatologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo conclui: "Independentemente da fase lunar, a média de crescimento mensal do cabelo é de 1 centímetro." (Veja, edição 1638, 1 mar 2000, p. 127).

   Portanto, embora mais de 50% da população acredite em astrologia, trata-se somente de uma crença, sem qualquer embasamento científico.


PSEUDOCIÊNCIAS

A ERA DE AQUÁRIO

Entende-se por Era uma série de anos civis que decorrem desde um acontecimento importante que é tomado como ponto de referência. Como exemplos temos a Era Cristã, Era Cenozóica, Era Bizantina, Era dos Gregos, além de muitas outras. No caso da Astronomia, quando falamos em Era Equinocial ou Zodiacal queremos dizer o período em que o Ponto Vernal(*) passa por uma constelação ou por um signo do zodíaco.

 

No momento, o Ponto Vernal está situado tanto no signo como na constelação de Peixes, razão pela qual dizemos que estamos na Era de Peixes. Mas paira no ar uma certa dúvida com relação ao início da próxima Era, a de Aquário, pois alguns místicos afirmam que iria começar na entrada do novo milênio, ou seja, em 2001.

 

E o pior é quando dizem que seria no ano 2000, como se o novo milênio tivesse iniciado naquele ano.

 

Por outro lado, há também aqueles que afirmam com precisão o início da Era de Aquário em 4 de fevereiro de 1962, além de outras datas. Cada qual tem suas razões, porém sem nenhuma sustentação científica razoável.

 

Mas para a Astronomia uma Era é determinada, conforme já dissemos, pela passagem do Ponto Vernal ao longo da região ocupada por um signo ou uma constelação zodiacal, em razão de um deslocamento do eixo da Terra que se faz na proporção de mais ou menos um grau a cada 70 anos, no sentido retrógrado (leste para oeste).

 

E se considerarmos que as constelações têm tamanhos diferentes e ocupam, por consequência, espaços variados na esfera celeste, e que os signos, por sua vez, ocupam espaços regulares de 30 graus, podemos deduzir que o tempo que o Ponto Vernal demora nos signos é sempre o mesmo em todos eles, o que não ocorre com as constelações, especialmente agora que a União Astronômica Internacional conseguiu definir com precisão os limites das constelações.

Assim sendo, a Era de Aquário, conforme podemos ver na tabela a seguir, só irá começar no ano 2150 (se considerarmos a passagem do Ponto Vernal pelo signo de Aquário) ou então em 2620 (se considerarmos a passagem do Ponto Vernal pela constelação de Aquário).  

 

TABELA REFERENTE AO INÍCIO DAS ERAS

SIGNO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

CONSTELAÇÃO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

Carneiro

2150 a.C.

Carneiro

1820 a.C.

Peixes

0

Peixes

55 a.C.

Aquário

2150

Aquário

2620

Capricórnio

4300

Capricórnio

4330

Sagitário

6450

Sagitário

6320

Ofiúco(**)

Não existe este signo

Ofiúco

8730

Escorpião

8600

Escorpião

10050

Libra 

10750

Libra

10530

Virgem

12900

Virgem

12180

Leão

15050

Leão

15330

Câncer

17200

Câncer

17900

Gêmeos

19350

Gêmeos

19340

Touro

21500

Touro

21330

 Tabela adaptada do Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. de F. Mourão, editora Nova Fronteira, 2. edição, 1995. 

(*)  Ponto da esfera celeste que é definido pelo cruzamento de três linhas: Equador Celeste, Meridiano Zero e Eclíptica, cruzado pelo Sol na sua passagem equinocial do hemisfério sul para o norte e que marca o início da primavera para este hemisfério. Também chamado de Ponto Gama. 
(**) Constelação zodiacal criada pela União Astronômica Internacional a partir de 1927. O Sol atravessa esta constelação de 28 de novembro a 17 de dezembro.

Paulo Araújo Duarte. Professor de Astronomia do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina.  

TABELA REFERENTE AO INÍCIO DAS ERAS

SIGNO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

CONSTELAÇÃO EM QUE ESTÁ O PONTO VERNAL

INÍCIO DA ERA

Carneiro

2150 a.C.

Carneiro

1820 a.C.

Peixes

0

Peixes

55 a.C.

Aquário

2150

Aquário

2620

Capricórnio

4300

Capricórnio

4330

Sagitário

6450

Sagitário

6320

Ofiúco(**)

Não existe este signo

Ofiúco

8730

Escorpião

8600

Escorpião

10050

Libra 

10750

Libra

10530

Virgem

12900

Virgem

12180

Leão

15050

Leão

15330

Câncer

17200

Câncer

17900

Gêmeos

19350

Gêmeos

19340

Touro

21500

Touro

21330

 Tabela adaptada do Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica, Ronaldo R. de F. Mourão, editora Nova Fronteira, 2. edição, 1995. 

(*)  Ponto da esfera celeste que é definido pelo cruzamento de três linhas: Equador Celeste, Meridiano Zero e Eclíptica, cruzado pelo Sol na sua passagem equinocial do hemisfério sul para o norte e que marca o início da primavera para este hemisfério. Também chamado de Ponto Gama. 
(**) Constelação zodiacal criada pela União Astronômica Internacional a partir de 1927. O Sol atravessa esta constelação de 28 de novembro a 17 de dezembro.

elaborado por John Thomas, dos North Texas Skeptics

A astrologia é quase certamente a mais antiga e mais disseminada de todas as pseudociências. Suas origens podem ser traçadas até a primeira metade da dinastia de Hamurábi na Babilônia cerca de 3.500 anos atrás.

Em sua forma moderna astrologia assegura que as posições dos planetas solares na época do nascimento de um indivíduo são de alguma forma correlacionadas com sua personalidade, atividades, preferências e mesmo eventos maiores da vida (acidentes, casamentos, divórcios, etc.). Não há concordância geral entre os astrólogos de como ou porque isto pode ocorrer. Tampouco há concordância sobre quais posições planetárias precisamente levam a quais características ou experiências específicas. É quase certo que se consultarmos dois astrólogos nenhum dos dois irá fazer o horóscopo de um indivíduo com precisamente os mesmos resultados. As previsões que resultam são frequentemente tão vagas que de qualquer forma é impossível fazer a verificação.

A astrologia é melhor compreendida quando se estuda como ela começou. Como muitos povos urbanos e agrícolas, os babilônios tinham um panteão de muitos deuses. Eles também tinham uma ciência bem desenvolvida de astronomia observacional, que servia aos mais altos propósitos utilitários como o de proporcionar um calendário, épocas de plantio e de colheita, épocas de festivais religiosos, etc. Neste esquema observacional cada planeta era importante, e os sacerdotes cuja tarefa era fazer as observações nomeavam os planetas com o nome dos deuses de seu panteão -- Marduk, Isthar, Nergal, etc. Por volta de 1000 a.C. havia uma extensa literatura babilônica de "presságios planetários". Uma vez que Nergal (Marte) era o deus da guerra, um verão no qual Nergal brilhava intensamente no céu era uma época para travar uma guerra (ou uma época em que o risco de uma guerra era grande). Uma vez que Ishtar (Vênus) era a deusa do amor, uma noite de primavera na qual Ishtar brilhava alto no oeste após o pôr-do-sol era uma época boa para fazer amor.

Por volta de 600 a.C. os babilônios criaram os doze signos do zodíaco: marcas no céu ao longo do caminho do sol, lua e planetas, que grosseiramente correspondiam aos meses do ano. O horóscopo mais antigo que fora descoberto data de 29 de abril de 410 a.C. Um horóscopo é simplesmente uma carta grosseira que indica as direções nas quais os vários planetas se alinham em relação ao zodíaco na época do nascimento de uma pessoa. Durante a era clássica dominada primeiro pelos gregos, e depois por Roma, os astrólogos babilônios (chamados de caldeus) se estabeleceram na maioria das grandes áreas urbanas por todo o mundo civilizado. Os astrônomos gregos zombavam da astrologia caldéia considerando-a um absurdo, mas o público grego adotou a astrologia da mesma maneira intensa que eles haviam adotado outros cultos bizarros ou bárbaros. Mais tarde, o estadista romano Marcus Túlio Cícero escreveu, em 44 a.C., uma crítica devastadora a estes astrólogos, que ainda vale a pena ser lida hoje em dia. Uma passagem característica: "Que loucura completa destes astrólogos em considerar os vastos e lentos movimentos e mudanças nos céus e presumir que o vento e a chuva não têm nenhum efeito no nascimento!".

Com a advento do cristianismo, os caldeus tiveram dias difíceis, uma vez que os primeiros cristãos (como os hebreus antes deles) eram hostis aos outros deuses e religiões pagãs. É claro que não havia nenhuma maneira de disfarçar as bases essencialmente religiosas da astrologia. Durante o início da Idade Média a astrologia quase se extinguiu na Europa, mas foi mantida viva em outros lugares por estudiosos islâmicos.

As Cruzadas trouxeram a astrologia de volta para a Europa onde ela co-existiu inconfortavelmente com o cristianismo até o surgimento da idade da ciência. O crescimento explosivo da astronomia científica a partir de 1600 A.D. fez paralelo com um declínio explosivo do sucesso da astrologia. Por volta de 1900 uma enciclopédia francesa descreveu a astrologia de maneira correta como um culto desaparecido sem adeptos jovens.

A astrologia realizou o retorno mais estrondoso de toda a sua história após a Primeira Guerra Mundial, quando o astrólogo britânico R. H. Naylor inventou a coluna de astrologia diária em jornal.

O resultado paradoxal é que o auge da astrologia não foi durante a época das trevas da Idade Média, quando o cidadão médio estava atolado profundamente na ignorância e superstição, mas ao invés disso no século XX, quando a maioria dos cidadãos presumivelmente conhecem os fatos básicos da astronomia e estão a par que os planetas são mundos similares à Terra ao invés de deuses-incandescentes no céu.

Desse modo, pelo menos 90% de todos os americanos abaixo dos 30 anos conhecem seu signo solar. Existem mais de 10.000 astrólogos praticantes nos EUA, e os americanos gastam mais de 200 milhões de dólares anualmente consultando astrólogos. (Nos EUA há somente cerca de 3.000 astrônomos profissionais, e apenas cerca de 100 milhões de dólares são gastos com pesquisa básica em astronomia -- exceto as experiências espaciais).

Os cientistas estão bastante desconcertados pelo crescimento da popularidade da astrologia, e uma série deles tem dedicado um tempo para conduzir estudos cuidadosos para ver se há alguma correlação real entre as posições planetárias ao nascimento e algum atributo do indivíduo na vida futura. Nenhum estudo válido estatisticamente jamais demonstrou qualquer conexão que pudesse dar alguma validade para qualquer conceito astrológico -- não importa quão vago o conceito tenha sido pronunciado! Não há nenhuma dúvida quanto ao simples fato de que a astrologia não funciona.

Tampouco há qualquer razão pela qual deveria funcionar. A fim de ir do horóscopo de um indivíduo para uma previsão específica do que está porvir para aquele indivíduo, o astrólogo deve consultar uma tabela. Esta tabela correlaciona características do horóscopo (posições dos planetas) com atributos individuais (inteligência, afeição, força física, boa saúde, etc.) De onde vem esta tabela? [Note que é tal tabela e não o horóscopo em si que é o "âmago" da astrologia.] Esta tabela simplesmente é feita por quem quer que seja que escreveu o manual de astrologia em particular que está sendo usado. Por isso dois astrólogos podem chegar a previsões diferentes (até mesmo contraditórias) a partir de um simples horóscopo. Há numerosos "sistemas astrológicos" bastante diferentes; todos diferentes, todos arbitrários, e todos completamente desconectados da realidade.

Esta arbitrariedade é uma característica de todas as pseudociências, e ocorrem porque as origens das pseudociências não recaem na observação da natureza, mas em convenções históricas acidentais da cultura humana. Por exemplo, os antigos costumavam chamar o segundo planeta a partir do Sol de Vênus e o quinto planeta a partir do Sol de Júpiter. Se eles tivessem feito de outra maneira, não teria feito a menor diferença para astronomia. Vênus seria então o maior planeta com cinturões coloridos e uma mancha vermelha, enquanto Júpiter seria um planeta incrivelmente quente com aproximadamente o tamanho da Terra. Mas para a astrologia seria então totalmente diferente, porque a astrologia depende inteiramente das características associadas com o nome, não com o planeta real! Júpiter, chefe dos deuses, é um líder dos homens. Vênus, deusa da amor, governa as emoções. Mudar os nomes arbitrários deixaria a realidade inalterada mas a astrologia, os horóscopos, etc, tornariam-se totalmente diferentes. É interessante notar que os Maias consideravam Vênus o senhor da morte.

Outra maneira de ver isto é considerar o zodíaco. Os babilônios, com seu interesse no calendário, naturalmente tinham 12 signos zodiacais. Porém mais uma vez isto é arbitrário. Outras culturas usavam 28, por exemplo os chineses e hindus. As culturas toltecas da América Central usavam 20. Os próprios babilônios usaram de 6 a 18 antes de configurarem os "tradicionais" 12. Novamente a escolha arbitrária do número dos signos (sem mencionar os nomes dos signos) é óbvia. Como para os nomes, se um dado grupo de estrelas eram chamadas de "Áries, o Carneiro", este nome escolhido arbitrariamente então predeterminou a "interpretação" nas tabelas ... uma vez que os carneiros são agressivos e assertivos, assim serão as pessoas nascidas com o sol (ou algo assim) em Áries. Como alguém distingue a agressividade do carneiro daquela do bode Capricórnio ou o do Escorpião é outro problema! Se estes grupos de estrelas tivessem sido denominadas de "A Cadeira", "A Escrivaninha" e "O Castelo", as interpretações novamente seriam irreconhecivelmente diferentes.

Como outro exemplo, considere o suposto "sistema de casa" da astrologia. Afim de proporcionar mais tabelas com mais características para consultar, a doutrina astrológica tinha proposto muitos sistemas de casas diferentes (talvez até uns 50). Estas são divisões arbitrárias do céu em setores, vagamente como pedaços de laranja. Os vários sistemas diferem na extensão, no número e de como estes setores estão orientados no céu em relação à eclíptica, ao horizonte e ao equador. Há dois sistemas principais de divisão de casas em uso pelos modernos astrólogos, o Koch e o Placidiano. É hilário que em nenhum destes dois sistemas alguém que tenha nascido acima dos 66,5 graus de latitude norte sequer tem um horóscopo! As estrelas não têm nada a dizer sobre 12 milhões de pessoas!

Outro aspecto hilário da astrologia é devido ao fenômeno astronômico conhecido como a precessão dos equinócios. Isto era conhecido pelos astrônomos gregos por volta de 150 a.C. e pode ser que já fosse conhecido há muito mais tempo. Ela destrói completamente a base da astrologia. O problema é que os primeiros astrólogos, para quem o sol nascia em Áries no equinócio da primavera, definiam o signo de Áries como sendo centrado no ponto do equinócio da primavera. Mas como os antigos gregos sabiam, o equinócio gira em um grande círculo, levando cerca de 26.000 anos para completar seu ciclo. Desse modo, hoje, o signo de Áries está em algum lugar próximo da constelação de Áries! Essa separação do significado do símbolo a partir da dispersão aleatória de estrelas cujo nome arbitrário originalmente deu ao símbolo seu nome e significado é absurda mesmo para muitos astrólogos, que desse modo discordam com todos os outros astrólogos por manterem o signo fixado à constelação ao invés de deixá-lo mover-se com os equinócios!

A moral é que quando alguém tem um sistema baseado em aleatoriedade e convenção arbitrária, um embaralhamento ou uma mistura do sistema é indetectável. A astrologia é apenas uma geração aleatória de palavras, e misturar o procedimento pelo qual a palavra aleatória é gerada é indetectável, uma vez que a entrada de palavras permanece ao acaso com qualquer mistura genuína posterior. O problema é como ninguém podia estar a par desta aleatoriedade, das convenções irracionais que crucialmente determinam a natureza das "previsões" da astrologia.

A questão do porquê as pessoas acreditam em astrologia é mais interessante do que os detalhes do horóscopo. Os psicólogos têm mostrado que os consumidores ficam satisfeitos com as previsões astrológicas desde que os procedimentos sejam individualizados de alguma maneira um tanto vaga. Por exemplo, se o astrólogo pedir uma grande quantidade de informação pessoal antes de fazer a previsão, o indivíduo fica muito mais satisfeito com ela do que se o astrólogo fizer poucas perguntas (e fizer a mesma previsão). As próprias previsões são quase sempre muito vagas e universais em aplicabilidade; elas podem descrever quase todo mundo.

A astrologia recai em uma ilusão de pensamento chamada validação pessoal. Isto depende da natureza seletiva da memória. Se acreditamos que algo é de certo modo, tendemos a lembrar os eventos que o apóiam, e esquecer daqueles que não. O resultado é uma sensação crescente de convicção. Lembramos da parte da narrativa em que nos encaixamos e esquecemos da parte que não. Influenciar as pessoas dessa maneira é chamado de leitura fria, e há uma literatura psicológica considerável sobre o assunto.

A ciência moderna tem podado a base da astrologia em todas as vezes. O indivíduo é formado na concepção; não no nascimento. A força gravitacional exercida sobre um recém-nascido pela Terra é mais de um milhão de vezes maior que a de qualquer corpo celeste. A força de maré exercida pela mãe e pelo prédio do hospital é, da mesma maneira, um milhão de vezes maior que a de qualquer corpo celeste. A radiação eletromagnética que incide sobre o bebê provinda do sol ou das luzes do quarto é um milhão de vezes mais intensa que a de qualquer outro objeto celeste. Mudanças no ambiente durante o desenvolvimento inicial têm muito mais efeitos sobre o desenvolvimento de uma pessoa do que os eventos na época do nascimento.Também, a época do nascimento pode ser alterada, até um certo limite, pelas ações de um médico. Quais são as implicações astrológicas de uma cesariana ou um parto forçado? Outro ponto importante a considerar é o papel estabelecido dos genes na natureza de uma pessoa. Suponha duas pessoas não aparentadas que nasceram na mesma época no mesmo hospital. As "forças astrológicas" irão levar em conta as forças genéticas? A ciência da genética tem demonstrado que a resposta para essa pergunta é "não". Não há nada o que quer que seja em toda a natureza que tenhamos explorado até agora ou em qualquer de nossas outras experiências que dê qualquer credibilidade para qualquer idéia astrológica.

Mesmo assim, milhões de americanos, de Ronald Reagan até muitos que ganham um salário-mínimo, continuam a regular seus compromissos diários (até um certo limite) de acordo com os conselhos arbitrários e potencialmente prejudiciais. Por quê? É essencial lembrar que uma crença não precisa ser verdadeira para ser útil. A astrologia tem florescido porque é uma estrutura dentro da qual as pessoas podem discutir e procurar por um significado em suas vidas. Vista como um sistema de suporte social, a astrologia está em algum lugar entre a religião e a psicoterapia.

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Este documento é substancialmente baseado em um material preparado pelo Prof. Rory Coker da University of Texas em Austin, Estados Unidos, em cooperação com a Austin Society to Oppose Pseudoscience.

Leitura Sugerida:

  • Abell, G.O. and Barry Singer (Eds.), Science and the Paranormal. (Scribner's, N.Y., 1981) Veja os artigos "Astrology" e "Moon Madness" ambos de Abell.

  • Carlson, Shawn, "A double-blind test of astrology," Nature, 318:419, Dec. 5, 1985.

  • Cohen, D. Myths of the Space Age (Dodd, Mead, New York, 1967.) Chapter II.

  • Culver, Roger B. and Phillip A. Ianna, Astrology: True or False? A Scientific Investigation. Prometheus Books, 1988.

  • Dean, G., "Does astrology need to be true? Part I: A look at the real thing," The Skeptical Inquirer, Winter 1986-87, p. 169.

  • Dean, G., "Does astrology need to be true? Part II: The answer is no," The Skeptical Inquirer, Spring, 1987, p. 257.

  • Gauquelin, Michel, Dreams and Illusions of Astrology. Prometheus Books, 1979.

  • Hyman, Ray, "Cold reading: how to convince strangers that you know all about them," The Zetetic, Spring/Summer 1977, p. 19.

  • Lindsay, J., The Origins of Astrology. Barnes and Noble, 1971.

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Tradução: Gilson C. Santos. Artigo baseado no FACT SHEETS: ASTROLOGY da North Texas Skeptics.   

 

Textos de astrônomos contra a Astrologia na rede

Encontrei na rede muito pouco material de qualidade sobre pontos polêmicos da Astrologia. A maior parte é uma versão do chamado “Seu Kit de defesa contra a Astrologia.

Seu Kit de defesa contra a Astrologia”
autor: Andrew Fraknoi
Astronomical Society of the Pacific

Traduzido e adaptado com permissão da revista “Sky & Telescope” por João Braga e Carlos A. Wueneche. Instituto de Pesquisas Espaciais – IMPE.”

O artigo provocou uma resposta massiva de vários astrólogos de São Paulo, que a revista também publicou. A seguir os links que tenho:

Carta de Francisco Seabra enviada à Ciência Hoje
Carta de Jayme Carvalho enviada à Ciência Hoje
Carta de Celisa Beranger enviada à Ciência Hoje
Carta de Alexey Dodsworth enviada à Ciência Hoje

Vale a pena ler os argumentos que usa Andrew Fraknoi para ter uma ideia da ignorância que estes senhores têm da Astrologia. Mas sem lugar a dúvidas suas reflexões nos fazem pensar e colaborar com generosidade para uma reflexão mais completa e profunda dos conceitos básicos da Astrologia.

Acesse através deste link meus comentários a “Seu Kit de ferramentas em defesa da Astrologia”
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1990 João Braga e Carlos Alexande Wuensche pesquisadores do Instituto Nacional de pesquisas Espaciais de São José dos Campos escreveram artigo sobre questões da previsibilidade da Astrologia considerada por eles como pseudociência. – não conheço este artigo e não encontrei onde foi publicado
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WUENSCHE, Carlos Alexandre. Astronomia versus Astrologia: O movimento dos astros influencia nosso dia-a-dia? Publicado na Revista Ciência Hoje, Vol. 43, p. 24 – 29. Janeiro/Fevereiro de 2009.
Acesse clicando aqui o artigo Astronomia versus Astrologia publicado na revista Ciência Hoje Oferece para download o arquivo em formado .pdf

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No site do astrônomo Alexandre Zabot tem uma versão mais fácil de acessar: http://stalbertus.com/?page_id=625 – nao existe mais

Não encontrei neste artigo nenhuma questão nova ou diferente do que já vem no Kit de Fraknoi, na verdade este artigo deveria se chamar versão simplificada do Kit de Fraknoi. Por favor, se estiver errado informa o que este artigo tem diferente.

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FILHO, Kepler de Souza Oliveira. Astrologia não é ciência.
In: Página do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Disponível em http://astro.if.ufrgs.br/astrologia.htm

Este artigo não vale a pena ver, não traz nada de novo ao Kit, e comete o mesmo erro de confundir o conceito de constelação com o de signo. E apresenta os resultados de uma pesquisa que chega a surpreender pelos seus resultados, Veja a seguir (Vale a pena acompanhar os cálculos de Simão, veja em http://astro.if.ufrgs.br/lang/lang.htm -logo comento) :
Uma pesquisa coordenada pelo Prof. Salim Simão do Departamento de Produção Vegetal da Universidade de São Paulo, durante sete anos, comprovou que a fase da Lua não tem efeito no crescimento das plantas. (Veja, edição 1638, 1 mar 2000, p. 127).
O médico dermatologista Valcinir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo conclui: “Independentemente da fase lunar, a média de crescimento mensal do cabelo é de 1 centímetro.” (Veja, edição 1638, 1 mar 2000, p. 127).

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BRAGA, João e WUENSCHE, Carlos Alexandre. Seu guia de defesa contra a astrologia. In: Boletim da Sociedade Astronômica Brasileira, 2000. Disponível em http://www.das.inpe.br/~alex/Divulgacao/astrology.pdf – não tem mais

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DAVOUST, Emmanuel. The purpose of Astronomy. Vistas in Astronomy, vol. 39, Issue 3, pp.315-322. Disponível em http://adsabs.harvard.edu/abs/1995astro.ph..6122D

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CAMPOS, Ana Carla. Astronomia versus Astrologia: Uma oportunidade de aprender o que é a Ciência. Gazeta de Física. P. 10 – 13. Disponível em nautilus.fis.uc.pt/gazeta/revistas/27_3/artigo2.pdf
Também nada de novo.

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Ao parecer todos estes astrônomos se inspiraram no kit de Fraknoi e elaboraram artigos copias dele sem trazer nada de novo, lastima!
Hipóteses sobre o porque os textos dos astrônomos sobre a Astrologia são tão elementais e superficiais


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